Jan 5, 2012 0
Economia para inglês ver.
O Brasil é agora a sexta economia do mundo, ultrapassou o Reino Unido. A notícia não deixa de ser surpreendente, mesmo sabendo que o critério adotado para o apontamento das estatísticas é questionável, levando em conta o contingente populacional brasileiro, esmagadoramente maior que o britânico. Há cerca de 20 anos – apenas 20 anos – a economia brasileira era fraca e o país bem mais pobre do que é hoje. A recuperação brasileira na economia global – destacada principalmente na última década – dá margens para um interessante estudo. O calor do presente ainda não dá condições para se concluir se o país atravessa a melhor fase econômica de toda a sua história, desde os tempos das caravelas. Os historiadores do futuro seguramente farão uma leitura pertinente a este assunto.
A imprensa brasileira pouco noticiou o fato. Fatalistas em sua essência, os jornalões do Brasil e a grande emissora de tevê preferem as notícias ruins e previsões sombrias sobre o futuro, já que o presente – o qual quase ignoram – se propõe belo e vistoso. Jornalistas de economia – badalados, premiados e consagrados – estão migrando agora para cartomancia, mas têm eles errado sistematicamente suas previsões cataclísmicas. É certo e reconfortante, não obstante, que as pesadas nuvens anunciadas no noticiário da manhã pelos jornalistas videntes é certeza de tardes ensolaradas e felizes na macroeconomia brasileira. Um entretenimento e tanto.
Mas relatórios e rankings à parte, a realidade não é tão boa assim. Se na economia o país vai bem, muito há de se fazer no social. Basta uma rápida olhada nas periferias das grandes e médias cidades de norte a sul. Milhões de brasileiros tiveram acesso ao crédito, mas ainda não têm habitações com o mínimo de dignidade, milhões de brasileiros enfermos dependem de um sistema de saúde cada vez mais deficitário, o sistema educacional é decadente e forma cidadãos cada vez menos preparados. Problemas a granel, o resultado não poderia ser outro: desníveis sociais e muitas injustiças.
De qualquer maneira, é evidente a propulsão do país. Atingiu índice de alto desenvolvimento humano, pagou sua dívida externa, vai sediar uma Copa do Mundo 64 anos depois e terá o Rio de Janeiro como a primeira cidade da América do Sul a receber os Jogos Olímpicos da Era Moderna. Pouco sentiu o Brasil a crise econômica de 2008 e pouco sente a que está em decurso. Em elogios decantados, estrangeiros visitam o Brasil, conhecem suas belezas, fazem negócios, elevam o país a uma categoria que ele ainda não está acostumado. Parece que somente o olhar estrangeiro percebe o quanto grande é o Brasil. Por aqui, “o complexo de vira-latas” ainda é uma constante no ideário do brasileiro – talvez seja pelo capitalismo tardio (tão comum na América Latina) que se consolidou, talvez seja pela desconfiança em acreditar em si próprio. Seja como for, o processo é irreversível. O Brasil exercendo liderança e influência no globo é uma realidade, uma realidade que se tornará cada vez mais patente.