Feb 26, 2009
Receituário de uma economia primata
O presidente Lula, que recebeu Curado em seu gabinete e chegou a pedir que a decisão das dispensas fosse revista, entende que o corte da Embraer foi o maior golpe refletido no Brasil em decorrência da crise econômica mundial, deflagrada ano passado. Sindicatos ligados à Força Sindical já anunciaram também que vão questionar na justiça as demissões da empresa fabricante de aeronaves.
Seguindo a máxima de que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, a Embraer transfere para seus trabalhadores o ônus provocado pela sangria desatada da crise dos mercados imobiliários norte-americanos. Infelizmente tem sido assim. No mundo afora e no Brasil as demissões têm sido constantes, destaque para a indústria automobilística – onde a degola parece não ter fim. As grandes corporações, das chamadas grandes economias, entendem que a culpa pela instabilidade de suas grandezas é da base da cadeia alimentar antropofágica do ideário globalizante: o trabalhador. Se as margens de lucros recuaram, mesmo que nem de longe se aproximem do prejuízo, o penalizado é sempre o trabalhador.
O caso da Embraer chama a atenção, pois suas vendas recuaram em 30% conseqüência de sua carteira de clientes, quase toda externa. Sugere mais uma vez que a crise no Brasil teve pouco efeito. Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para o Subcontinente e Caribe disse que “O Brasil sentirá menos a crise na América Latina” onde se projeta a sombria margem de crescimento de 0,3% em média para os países da região. Se as contas realmente vão mal, é preciso rever a dependência de mercados externos. O corte brutal e sumário de mão-de-obra faz parte do receituário da economia primata do modelo vigente em franca decadência.