José Rainha Jr., dissidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) promoveu a invasão de cerca de 2 mil militantes a 20 fazendas na região do Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo. Intitulada de Carnaval Vermelho, a ação foi realizada entre os dias 22 e 24 deste mês e teve como objetivo protestar contra o governo do Estado de São Paulo.
Luiz Antônio Marrey, secretário estadual da justiça e da defesa da cidadania de São Paulo, entende que as invasões do grupo de Rainha têm fins políticos e que, supostamente, este mesmo grupo já recebera cerca de 10 milhões de reais do Governo Federal, o que, inclusive, é alvo de investigação do Ministério Público no que se refere à aplicação destes recursos.
Versar sobre a legitimidade ou não das ações do MST e correlatos é chover no molhado. A questão agrária no Brasil está muito a quem do ideal, e bem o sabem as lideranças do MST. O Movimento não postula tão somente a distribuição equânime das terras, mas sim uma reflexão por parte da sociedade brasileira, ou de seus pretensos idealizadores, sobre a luta de classes enraizada nos primórdios de nossa civilização.
Se o fazem conscientemente, é uma outra história. Mas o MST e suas ações representa o sopro dos movimentos populares ou de esquerda no Brasil que ainda resta. E se levarmos em conta o impacto destas ações, Rainha ou o Movimento chamam a atenção, pois agem ignorando a lei. Atraindo os holofotes da imprensa, geram a indignação de nossa chamada sociedade organizada que aspira ter a aparência dos modelos vigentes de civilização propostos pelo neoliberalismo econômico.
A imprensa por sua vez, não entra neste debate. O que se viu nas páginas dos jornais ou na tevê é se o Governo, o governo Lula, tem fiscalizado corretamente a aplicação dos recursos destinados ao Movimento ou se manifestado sobre o Carnaval Vermelho e as invasões ocorridas em Pernambuco – esta última provocando a morte de duas pessoas.
Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou ostensivamente as invasões. Para ele “dinheiro público para quem comete ilícito também é uma ilicitude”, disse aludindo sobre os repasses do Governo ao Movimento.
As instituições democráticas brasileiras não podem, de fato, apoiar (mesmo que seja tão somente colocar um boné na cabeça) movimentos populares marginais que agem à margem da Lei. Isso causa asco nas ancestrais elites brasileiras.