Evandro Carvalho

Jornalismo, contemporaneidade, cultura, curiosidades, debates. Ou, “Em terra de cego, que tem um olho não é visto com bons olhos”. Este blog contem os artigos do jornalista Evandro Carvalho. Seu objetivo é fazer uma leitura superficial de fatos e acontecimentos no Brasil e no mundo. A participação do leitor é muita bem vinda. Comente, corrija, critique.

E os americanos, do norte, conheceram Galeano…

A 5.a Cúpula das Américas, encerrada no último domingo, não teve resultados práticos. O debate sobre os efeitos da crise econômica mundial e possíveis ações a serem tomadas não esteve na pauta das discussões. Sequer o documento oficial do encontro teve rubricadas as assinaturas dos estadistas presentes – somente o primeiro-ministro de Trinidad & Tobago, Patrick Manning, anfitrião do encontro, é quem assinou o documento. Além do mais, Cuba não enviou nenhum representante a Port of Spain. A Cúpula só não foi mais protocolar, pois o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sinalizou a aproximação de seu país com a Venezuela, do presidente Hugo Chávez, além de comentar sobre o possível fim do embargo econômico imposto à Cuba.

Que Cuba resiste intolerantemente ao fim de um regime político e econômico que mais parece um fóssil, é algo questionável. Mas tão mais questionável é a resistência da Casa Branca em “afrouxar as amarras” que “sufocam” o povo cubano. Mais questionável ainda é falar de embargo à Cuba e estender o lastro diplomático a países de regimes fascistas que agora se “lambuzam” com o capital, caso da China. Com Barack Obama, quase 40 anos mais jovem que Fidel Castro, a mão piedosa da diplomacia americana dá sinal de que será estendida. Talvez esteja aí o erro: tratar Cuba como um país moribundo é menos inteligente do que tratar a Ilha como um parceiro.

De longe os americanos tratam os outros americanos como parceiros, exceção feita ao insípido, inodoro, invisível e chato Canadá. Em cerca de 200 anos de história, os Estados Unidos sempre trataram os países latino-americanos como nações subservientes, política e economicamente. Para o Brasil, colocou sua Inteligência, a CIA, a serviço dos anos de chumbo da ditadura militar, a qual, de maneira absolutamente irresponsável e inconsequente, o jornal Folha de São Paulo denominou “ditabranda” em um de seus editoriais.

Brilhante intelectual que é, Obama certamente já leu As Veias Abertas da América Latina, livro do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, o qual Hugo Chávez o presenteou em uma das reuniões da Cúpula das Américas. Obra profunda que conta os séculos de saques, morticínio, espoliação e exploração promovidos em especial por Portugal, Espanha e Estados Unidos.

O gesto de Chavez transformou a obra de Galeano num best seller na sociedade monoglota americana. Conta o blog do jornal The New York Times que o livro do jornalista liderou os acessos no site da Amazon por quase 1 semana. Para quem sequer conhece a brilhante obra de Noan Chonsky, norte-americano que vocifera o desastre da globalização no deserto árido da intelectualidade americana, Chavez provocou um prodígio - na prática, o único resultado prático da 5.a Cúpula das Américas.

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