No princípio desta semana a Coreia do Norte realizou testes nucleares em suas cercanias, testes estes que provocaram abalos sísmicos na região. De igual forma abalados, os países do mundo ocidental reagiram de imediato, condenando de maneira veemente o governo de Pyongyang. O argumento das nações ditas modernas é que a Coreia do Norte descumpriu arbitrariamente os tratados internacionais de não proliferação de armas de destruição em massa. Além dos testes nucleares, os norte-coreanos lançaram mísseis de longo alcance em direção do Mar do Leste, que fica exatamente entre as Coreias do Sul e Norte e Japão. Além disso, a Coreia do Norte subiu o tom do discurso contra a Coreia do Sul, que já está em alerta máximo contra um possível ataque.
A Coreia do Norte é um dos poucos países comunistas restantes no mundo. Com o fim da União Soviética, o país tem passado por severas dificuldades econômicas e muito pouco cresceu na última década. A exemplo de Cuba, esta nação também sofre com sanções e embargos econômicos impostos pelos países ocidentais desenvolvidos. Nos últimos anos Pyongyang estreita relações comerciais com a vizinha China que, a rigor, ainda é um país comunista, embora com os flancos abertos à sedução do capital.
Independente da diplomacia ou falta dela, o governo da Coreia do Norte é um fóssil do passado. Trata-se de mais uma nação órfã do colo protetor da defunta União Soviética. Iguais aos norte-coreanos, resistem (para o bem ou não) cubanos, iranianos, líbios, paquistaneses, afegãos ou nações africanas famélicas. Alguns destes países, governados por fósseis, têm arsenais nucleares prontos para serem utilizados ao menor destempero. Há ainda o novo inimigo (oculto): o terrorismo em escala planetária, que não mais explode cafés, mas derruba símbolos e arranha-céus.
Por mais anacrônico que possa parecer, a União Soviética faz falta no mundo. Não só exatamente a União Soviética, mas uma liderança opositora à hegemonia política e econômica dos Estados Unidos. Em seu célebre “O colapso da modernização”, o sociólogo alemão Robert Kurz apontou a derrocada do capitalismo com seu próprio triunfo/isolamento. Se tiranos governantes de países de direita seguem os ditames ou orientação dos Estados Unidos, falta a alguns tiranos do outro lado (comunistas ou islâmicos) a bússola de uma potência opositora. Bússola e correção, no caso norte-coreano.